Missão Francesa

Em 1816, durante a estada da família real portuguesa no Brasil, chega ao Rio de Janeiro um grupo de artistas franceses com o objetivo de implementar o ensino formal das artes plásticas na cidade.

Os pintores Jean Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay, os escultores Auguste Marie Taunay, Marc Ferrez e Zépherin Ferrez e o arquiteto Grandjean de Montigny, desembarcaram no Brasil e influenciaram de maneira definitiva as estruturas estéticas, culturais e educacionais do nosso país.

Diz a historiadora Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, Professora Titular de História Moderna/UERJ, sobre a chamada MIssão Francesa: “A historiografia acerca da Missão Artística Francesa não deixa de apresentar opiniões distintas. Para alguns, ela deve ser criticada, pois não possibilitou a construção de uma arte nacional; para outros, entretanto, promoveu o desenvolvimento das artes, ao introduzir traços eruditos na cultura artística largamente vernácula do Império do Brasil que surgia. Talvez, mais importante do que tais polêmicas, seja reconhecer que esses indivíduos, com seus trabalhos, em alguns casos transferiram saberes; em outros, criaram uma memória da monarquia brasileira; e, sobretudo, contribuíram para o ingresso do Império nascente numa certa senda de civilização, em que o país real, o dos escravos e misérias, era redesenhado sob a aparência de um país ideal, de acordo com o modelo da civilização francesa.

A escolha, por André, da Missão Francesa como tema de um trabalho, partiu se deu desejo em refletir sobre dois pontos recorrentes em nossa história: a ideia de que para resolver nossos problemas devemos importar um modelo externo e as grandes diferenças entre o que é planejado e o que é efetivamente realizado.

Após extensa pesquisa, o artista fotografou, ao longo de um ano e meio, lugares, personagens e acervos que se relacionam com a Missão Francesa. São eles: o Museu Nacional de Belas Artes; o Museu D. João VI; a Escola de Belas Artes e a Faculdade de Arquitetura da UFRJ; o local onde ficava o prédio original da Academia de Belas Artes; a fachada do prédio original da Academia de Belas Artes, no Jardim Botânico do rio de Janeiro; o Museu Chácara do Céu; oSolar Grandjean de Montigny na PUC-Rio; a Casa França Brasil; a Cascatinha Taunay na floresta da Tijuca; a Praça XV, antigo Paço Imperial; o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Vinte e cinco descendentes de Taunay; Alunos e professores da EBA e FAU/UFRJ e por fim, desenhos, pinturas e esculturas dos artistas que compuseram a Missão, assim como de seus alunos, pertencentes aos acervos das instituições visitadas.